Espécies de polvos

Polvo-gigante-do-pacífico: o maior polvo já medido

Enteroctopus dofleini chega a envergaduras de mais de quatro metros e vive em águas frias do Pacífico Norte.

Polvo-gigante-do-pacífico de pele avermelhada e enrugada estendido sobre uma pedra em água fria
Águas frias e ricas em oxigênio permitem ao polvo-gigante-do-pacífico atingir portes impossíveis para as espécies tropicais.

Todo grupo animal tem seu recordista, e entre os polvos o título pertence a Enteroctopus dofleini, o polvo-gigante-do-pacífico. Ele vive nas águas frias que vão do Japão e da Coreia ao Alasca e à costa da Califórnia, e é o maior polvo cujas medidas foram registradas com algum rigor.

Qual é o tamanho real

É aqui que a conversa exige cuidado. Circula amplamente a informação de que a espécie chega a 272 quilos e quase dez metros de envergadura. Esse número vem de um relato antigo, sem pesagem documentada nem exemplar preservado, e não é aceito como registro verificado.

O que se pode afirmar com segurança: adultos maduros costumam pesar entre dez e cinquenta quilos, com envergadura de três a quatro metros. Exemplares excepcionais ultrapassam setenta quilos. Já é um animal enorme para um invertebrado de corpo mole — o suficiente para envolver um mergulhador adulto com folga.

Por que medir polvo é difícil

Um polvo não tem forma fixa. Esticar os braços de um animal morto muda a envergadura em dezenas de centímetros conforme a força aplicada. Por isso pesquisadores preferem trabalhar com peso e com comprimento do manto, medidas que não dependem de quanto alguém puxou.

Por que o gigantismo aparece no frio

Não é coincidência que o maior polvo viva em água gelada. Água fria carrega mais oxigênio dissolvido, e cefalópodes dependem de muito oxigênio porque a hemocianina do sangue transporta menos que a hemoglobina dos vertebrados. Some-se a isso um metabolismo mais lento, que estende o tempo de crescimento antes da maturação sexual.

O mesmo padrão aparece em outros grupos marinhos e é chamado de gigantismo de água fria. A lula-colossal, que vive no Oceano Antártico, segue a mesma lógica.

Nome científico
Enteroctopus dofleini (Wülker, 1910)
Peso típico
10 a 50 kg
Maior peso confiável
Em torno de 70 kg
Envergadura
3 a 4 m
Longevidade
3 a 5 anos
Temperatura preferida
Aproximadamente 5 °C a 12 °C
Profundidade
Da faixa entremarés a mais de 1.500 m
Ventosas
Cerca de 2.240 no total

Como reconhecer

Além do tamanho, a espécie tem uma marca registrada: a pele forma pregas profundas e enrugadas, especialmente ao redor da cabeça e no início dos braços, o que dá ao animal um aspecto muito mais texturizado que o de um polvo-comum. A cor de repouso costuma ser um vermelho-tijolo intenso.

Os braços são desproporcionalmente longos em relação ao manto e mantêm boa espessura até perto da ponta. As ventosas do terceiro braço direito dos machos incluem algumas maiores, característica usada para diferenciar sexos em campo.

Caça e alimentação

A dieta acompanha o porte: caranguejos grandes, vieiras, mariscos, camarões e peixes. Há registros documentados de predação sobre tubarões pequenos em cativeiro e na natureza, e a espécie também é capaz de abrir bivalves grandes por força bruta, algo que polvos menores resolvem perfurando a concha.

O padrão de forrageamento é noturno e pode envolver deslocamentos longos, de centenas de metros a partir da toca. Ao contrário de espécies tropicais, que ocupam a mesma fresta por semanas, este polvo troca de abrigo com frequência.

Ciclo de vida

A maturação leva de dois a três anos, um tempo longo para o grupo. Depois do acasalamento, a fêmea deposita entre vinte mil e cem mil ovos em cordões pendurados no teto de uma caverna e passa de seis a dez meses cuidando deles — o período varia com a temperatura da água, e quanto mais fria, mais lento o desenvolvimento.

Como em outros polvos, ela não se alimenta durante o cuidado parental e morre pouco depois da eclosão. O macho morre alguns meses após o acasalamento. É o padrão descrito com detalhe no texto sobre senescência.

Situação e convívio com pessoas

Não há indício de que a espécie esteja ameaçada em escala global, embora não exista avaliação completa de estoques. Ela é pescada comercialmente no Japão, na Coreia e no noroeste dos Estados Unidos, e é a estrela de vários aquários públicos da costa oeste norte-americana.

Por causa do tamanho e da longevidade relativamente alta, é a espécie em que mais se observaram interações individuais consistentes com tratadores. Boa parte dos relatos de reconhecimento de pessoas e de comportamento de "brincadeira" descritos no artigo sobre personalidade vem de exemplares deste polvo.

Perguntas frequentes

O polvo-gigante-do-pacífico é perigoso?

Não para pessoas em situação normal de mergulho. Ele é forte o suficiente para incomodar um mergulhador que insista em segurá-lo, mas não ataca e não tem veneno relevante para humanos.

Existe polvo maior que essa espécie?

Não entre os confirmados. Existem relatos históricos de exemplares muito maiores e a hipótese de espécies gigantes ainda não descritas em mar profundo, mas nada disso tem verificação científica.


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